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Um dia para ficar na história. O Brasil perdeu da Alemanha em casa, na COPA DO MUNDO de 2014. E nas manchetes dos jornais internacionais era estampado “desastre” “humilhação” “a pior catástrofe da história do futebol brasileiro”. E a imprensa nacional destacou “o verdadeiro apagão da seleção brasileira”.

Perder faz parte de uma competição. Porém, um time com chances de vitória com jogadores renomados e valorizados, com a maioria jogando em times do exterior, como no nosso caso, já é uma grande surpresa. Mas, nada era tão improvável quanto o resultado 7x1. A maior goleada sofrida pelo Brasil, próximo disso apenas o 6x0 contra o Uruguai em 1920.

E para os nossos adversários, assim como brincou o jogador alemão Muller foi como num jogo de golfe: a tacada perfeita.

E o que significa esta derrota? Para o técnico Felipão  foi o pior dia de sua vida. Para os jogadores uma derrota para marcar a vida toda, conforme declarações pós jogo.
E para o torcedor brasileiro o que significa esta derrota? Como encarar o fim de um sonho? E que lição pessoal trazer para sua vida com este impacto tão intenso?

E você? Quando teve seus 7x1?
Quando eu tinha 14 anos consegui meu primeiro emprego. Já trabalhava desde os 7 anos fazendo gibis e vendendo na escola, auxiliando meus irmãos em venda de latinhas em ferro velhos. Minha infância foi igual a de qualquer criança nos anos 80 da classe C ou D, ou melhor E, ou Z, enfim. Voltando a nossa conversa, aos 14 anos eu consegui o meu trabalho numa fábrica de costura no bairro Ahú em Curitiba. Era a minha primeira escalação no mercado de trabalho. Eu não tinha nenhum preparo, entrei em campo: no campo do trabalho, sem nenhum treinamento.

Na fábrica eu tinha que tirar os fios das roupas, dobrá-las e empacota-las para as lojas. E os dias foram passando, passaram-se 2 semanas. Ao fim desses 15 dias minha chefe me chamou e disse que eu estava demitida. Eu não tinha o perfil para trabalhar com as costureiras, senhoras que viam a minha falta de interação. Eu era extremamente tímida, não me integrava ao grupo, não jogava em conjunto.
Apenas fazia a minha parte, talvez como nossos jogadores hoje, não pareciam fazer parte de um todo. E todos nós sabemos que no campo e na vida profissional é preciso estar em sinergia com os integrantes, com seus colegas de trabalho.
E fui demitida e meu chão abriu. Eu nunca vou esquecer da minha reação. Do meu 7 x1 ou 1 a 0. Eu havia perdido o jogo. Estava expulsa do mercado de trabalho logo do início, logo na primeira vez.
Como contei neste texto eu venho de uma família pobre, o meu emprego era muito importante. Era motivo de orgulho para minha mãe. Era minha contribuição para minha nação, para meus pais e para o meu país. Eu estava fazendo parte. Eu havia perdido o jogo. Sido expulsa.
Lembro de ter corrido à igreja que ficava do lado da fábrica e sentada ao chão chorei como uma menina de 4 anos ou de 14 anos na porta da igreja fechada. Não conseguia ver nada à frente e imaginava que aquela derrota na minha primeira escalação seria o pior momento da minha vida.
Mas, ao longo da vida, é claro, que várias outras vezes ganhei jogos, perdi outros, perdi muitos outros. E também senti momentos de humilhação, de “meu pior dia na vida’, de achar que ganharia marcas para sempre, de decepção, de derrota entre outras.

E suas derrotas? Como enfrentou?
Assim, como você, certamente também teve seus momentos para recordar que achou que perdeu o jogo, o campeonato, a vida. Você se recorda? Talvez um vestibular que parecia o início de um sonho e você reprovou.... Ou talvez um amor que parecia para sempre? Ou uma dívida que parecia que jamais acabaria, que você nunca ia conseguir pagar... Quem sabe um emprego, também que parecia perfeito. Ou pior um ente querido que realmente se foi e você achou que seu chão nunca mais fosse fechar e criar novas estradas.

Hoje, 08 de julho de 2014 o Brasil se calou diante de uma grande derrota no mundial, na COPA DO MUNDO 2014, em casa, em nosso país. Nossa crença, nossa fé na seleção era tão forte, tão intensa que a cada jogo colocávamos na camisa amarela os nossos sonhos. Nossos abraços, nossos sorrisos e compartilhávamos com os amigos e com os familiares e ou com desconhecidos nas mesas de bar ou no churrasco das famílias.
E com relação aos meus 7x 1, hoje passando tantos anos desde a minha pré-adolescência e minha primeira derrota no mercado de trabalho, eu agradeço a Deus por ter ouvido minhas orações naquela igreja logo após meus “7x1”, minha demissão. Ele me ensinou que eu precisa entrar em campo preparada e sempre deveria respeitar os adversários. Graças àquela derrota tive oportunidade semanas depois para começar meu primeiro emprego ligado à área de habitação, construção e condomínios, na Caixa Econômica Federal, por meio de uma empresa terceirizada na época, mercado de trabalho, time onde hoje faço parte e ajudo pessoas a entrarem para a mesma escalação.

E você como encara suas derrotas
E cada tombo, cada derrota aprendi a senti a dor com intensidade, após sacudir bem a poeira e usar a poeira para somar aos tijolos da nova construção.

Nada é tão perfeito, e é claro que cada situação nova eu aprendo mais.
E você como tem aproveitado os 7 x1 ou 5x0 ou 3x1 ou qualquer derrota, proporcional a dor de uma derrota do futebol como a de hoje em sua carreira e/ou em sua vida???? Você tem conseguido sentar e pensar na estratégia do próximo jogo? Ou tem jogado a toalha e falado como o técnico Felipão “Não tinha mais jeito” “Não tem mais jeito”.
Lembre-se enquanto há vida, sempre há jeito. Você estará no jogo a vida toda. Assim como os jogadores que hoje certamente estão vivendo um momento de profunda dor, porém, eles terão novos jogos. Eles terão ao longo da vida toda oportunidade de utilizar a derrota tão intensa de hoje para produzir lições para construir novos sonhos, neles mesmos, em seus filhos e nos torcedores pelo mundo afora.

O importante é não perder a sua fé, sua crença, seu amor ao Brasil e seu amor à vida. 
Eli Antonelli