Mais uma vez ele venceu. Já levou minha avó, um dos meus tios mais amados, levou o meu melhor amigo Marcio Robertz em 2008. E mais uma vez levou um amigo especial.

O nome dele era Miranda, meu companheiro de tantos momentos desde a época da faculdade em 2007, praticamente todas as noites ele como taxista era quem me trazia com segurança e conforto para minha casa. Não dirijo e não pretendo, ele era meu amigo e estava sempre junto todas as vezes que precisava chegar rápido. E na louca vida de uma jornalista, eu sempre precisava.

Ele socorreu a minha mãe por tantas vezes, quando ela adoecia e eu precisava chegar ao médico com urgência. Era o Miranda meu companheiro de quase 6 anos que ouvia minhas confidências, me dava conselhos e ria dos meus erros. E me levava à rodoviária e ao aeroporto quase todas as semanas numa rotina de viagens que nunca parou. Eu ia atras de sonhos e  ele sempre ouvia meu entusiasmo, minhas expectativas. E também ouvia as minhas tristezas, minhas decepções. Ele me contava dele também, mas sempre mantinha o sorriso no rosto, nunca me falou de tristezas.
Com ele aprendi a sentir a vida, ele poderia ter esta dor a tanto tempo, mas mesmo estando juntos quase sempre, nunca me falou. E eu nunca percebi, pois o sorriso nos lábios e alegria costumeira nunca deixaram de fazer parte do meu amigo Miranda.

Agora ele se foi, como o Marcio, e levou um tanto de mim. Mas, me deixou muito, me deixou seu exemplo de vida. E me ensinou que é preciso olhar mais para minha própria vida,  frear um pouco, estacionar com segurança na vida, quanto tantas vezes fez por mim.

É preciso parar de correr tanto atras de projetos, de mudar o mundo, conquistar  céu e a terra. Talvez seja a hora de apenas sentar e sentir e perceber as pessoas em volta. Elas sim são nossos maiores tesouros. E meu Deus, não são para sempre. Nosso pais, amigos, marido, namorado, esposa.. não são eternos. Um dia Deus precisará levar esses tesouros de volta. E só nos restará pensar e perceber o quanto nos apropriamos disso.

Eu me sinto hoje meio vazia, como se tivesse que ter usufruído mais ainda da amizade do meu grande amigo Miranda. Talvez nas nossas corridas urgentes eu não pude o suficiente dizer a ele o quanto foi importante.

O quanto ajudou a minha mãe, o quanto me ajudou, pois toda madrugada que eu chegava em Curitiba ele ia me buscar, sem se preocupar que horas eram, que ia deixar a família, o conforto do seu lar. Ele ia sempre e me recebia com seu sorriso: "E, aí, com foi?"

Hoje depois de cobrir mais um evento, ao chegar no terminal de ônibus e ao descer para pegar o taxi, imediatamente me lembrei dele.. E pensei em passar uma mensagem para saber se estava melhorando. Mas, ele não ia responder.

Mas, eu preciso dizer, Miranda, obrigada por tudo. E meu Deus, obrigada por ter me presenteado. Tanto o Miranda, quanto o Marcio, que Deus me levou em 2008, também vítima do câncer, fizeram diferença e me ajudaram a me tornar a pessoa que sou hoje.

Perder alguém sempre nos ensina e faz com que a gente comece a prestar mais atenção na nossa própria vida. É hora de estacionar um pouco e valorizar mais os que estão do nosso lado todo dia.