Neste mês fizemos uma matéria para a Revista Raça Brasil da editora Escala de SP. Confiram é um perfil do maravilhoso Jair Rodrigues.
Jair Rodrigues e o samba
Os 53 anos de carreira desse irreverente e talentoso artista se confundem com a história da música brasileira

POR ELI ANTONELLI
Jair Rodrigues no palco, cheio de expressões

Capa do primeiro disco, O samba como ele é

Cidade de Curitiba. Último show de uma série de seis. Auditório lotado. Percebe-se muita gente que esteve no primeiro, no segundo, no terceiro show... Ninguém queria perder a explosão de energia que Jair Rodrigues promete e garante sobre o palco. Um Jair apaixonado pela vida, intenso que circula pelo Auditório saindo do lugar comum. Canta suas canções com o público, senta no colo de várias pessoas, brinca, ri e provoca admiração e um amor que só os grandes artistas têm a capacidade de despertar. E lá se vão 50 anos do lançamento de seu primeiro disco, O samba como ele é, de 1963.
Com ele, Jair Rodrigues foi considerado o sambista revelação em São Paulo. As canções que o consagraram nesse início de trabalho foram as regravações Brigamos, de Jorge Costa e Laercio Menezes; Tem bobo para tudo e Feio não é bonito, de Gianfrancesco Guarnieri, e O morro não tem vez, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Jair lembra que o disco foi produzido por Antonio Borba, que o conheceu numa apresentação na noite e o convidou para o trabalho. E o samba continua conquistando todos os públicos e as novas gerações. Jair acredita que o motivo seja esta mistura tão bem afinada que o ritmo permite, a entrada de vários instrumentos, até mesmo a inclusão da guitarra. "O samba é uma mistura de vários instrumentos: cabem violão, surdo, pandeiro, agogô, flauta, trombone, cavaco, pistão e até teclado, baixo", diz Jair que, encantado com o estilo que o consagrou, relembra grandes mestres do samba como Donga (Ernesto dos Santos), que compôs e gravou o primeiro samba, Pelo Telefone, em 1917, no Rio de Janeiro, além de inesquecíveis intérpretes, entre eles, Francisco Alves, Ataulfo Alves e Chiquinha Gonzaga com o seu Ô abre alas, de 1889.
Falando nisso, o carnaval sempre foi uma grande paixão para Jair. Ele e Elza Soares foram os primeiros cantores a gravarem sambas-enredos e fortalecerem o estilo nas rádios. "Normalmente, apenas curtíamos essa maravilha que são os sambas-enredos. Aí nós passamos a gravar essas composições", conta, relembrando o primeiro deles, Bahia de todos os deuses, do Salgueiro. E lá se vão muitos outros sambas-enredos e outras tantas escolas de samba, como Rosas de Ouro, CLIQUE AQUI LEIA MAIS