Publicado em 15/02/2013 | CRISTOVAM BUARQUE

Todas as manchetes das revistas que trataram das vítimas de Santa Maria se referem a uma tragédia humana de proporções avassaladoras. Na Veja: “Nunca mais”, “Essa dor não passa”, “Quando o Brasil vai aprender?”, “A asfixia não acabou”. Na Época: “Tão jovens, tão rápido e tão absurdo”, “A tragédia e seus sócios”, “Futuro roubado”, “Uma tragédia estúpida”. Na IstoÉ: “Nossos jovens nas arapucas da morte”, “Basta”, “Santa Maria, rogai por eles”. Na Carta Capital: “É pedir muito que o Brasil aprenda com a tragédia?”, “235 razões para agir”.
Todas essas manchetes se referem à devastadora tragédia da boate Kiss, em que centenas de jovens perderam a vida, familiares perderam os filhos e o Brasil perdeu um pedaço de seu futuro. Uma tragédia brutal não apenas por seu tamanho, mas também porque ela era perfeitamente evitável.
Mas ela se aplica também a uma outra tragédia, menos visível e estridente, que também toca brutalmente cerca de 50 milhões de crianças e jovens no dia a dia de suas vidas. Depois de aplicar as manchetes a essa outra tragédia, fica claro como o nome da boate de Santa Maria é uma metáfora da escola brasileira, das nossas escolas Kiss.
Na primeira delas, os jovens perderam a vida por inalar um gás venenoso; na outra, as crianças perdem o futuro por não inalar o oxigênio que está no conhecimento. A imprevidência de proprietários, músicos e fiscais levou à morte por falta de ar; a imprevidência histórica de políticos, pais e eleitores leva a uma vida incompleta por falta de conhecimento.
A tragédia mostrou os riscos que correm nossos jovens em seus fins de semana em boates. Mas ainda não despertou para o que perdem nossas crianças e jovens no dia a dia de suas escolas. Porque é uma tragédia cujo costume nos embrutece, ou por LEIA NA INTEGRA NO JORNAL GAZETA DO POVO

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