Fonte: Eli Antonelli/ fotos : Leandro.Grassmann, Marco Godinho e Itamar Crispim
Duas apresentações de Nambía!Não bastaram para conquistar o público de Curitiba
Flavio e Aldri caminham pela rua XV de Novembro em Curitiba/ foto Leandro
e Marco 

No último final de semana terminou o Festival de Teatro de Curitiba com sucesso de público mais uma vez. Nomes consagrados, novos artistas, jovens encenadores chamaram a atenção de público e crítica. O evento contou com 2 mil artistas, movimentação intensa em 75 espaços da cidade, várias apresentações de rua, espetáculos gratuitos, mostras, eventos paralelos. Com um público total de 180 mil pessoas.


E para finalizar não poderia ser mais perfeito a peça Namíbia!Não! sucesso de público, só em Salvador lotou salas no último ano com 20mil espectadores, veio para Curitiba para fazer barulho.

A peça dirigida por Lázaro Ramos trata de questão racial mesclando humor e conversa séria. Com um cenário todo branco, os dois personagens Antonio e André, vividos pelo autor e ator na peça Aldri Anunciação e o consagrado ator Flávio Bauraquiestão diante de um grande problema: 2016 uma medida provisória que estabelece que toda a população negra, pessoas de melanina acentuada, como relata o texto, devem voltar à África.

Em pleno século XXI ocorre a diáspora vivida pelo povo africano do Brasil escravocrata. A medida é uma ação de reparação social aos danos causados pela União E aí vem toda uma discussão: Como as pessoas poderiam identificar qual país está sua origem? Como deixar sua pátria? A língua oficial da Namíbia é o alemão? Quais impactos da colonização europeia? O que significa haver  fome na África? Inúmeros questionamentos se colocam. E no meio de humor e drama, o público se vê diante de questões que levam a reflexão direta sobre o racismo e a importante contribuição da população negra na formação do país.  Em uma determinada cena os personagens começam a pontuar o que seria do Brasil sem as inúmeras personalidades negras que marcaram a história.

Durante a coletiva de imprensa, questionados sobre como foi ter um diretor com bagagem tão densa de ator no comando, os dois elogiaram o desempenho de Lázaro Ramos: “Lazinho é muito sábio. Sorte do filho dele. Realmente, toda a vivência dele estava ali. Ele tem uma forma muito elegante de questionar sobre o significado das cenas. Certa vez, tentou nos fazer  funcionar relacionando a emoção da cena a uma canção. Quando não encontramos uma, ele nos mandou para fora do teatro para, em três minutos, compor uma música”, relata Bauraqui. Esta canção ainda hoje é usada na peça, cantada à capella.

A peça teve quatro cenas cortadas para ser mais dinâmica ainda, mas para quem acha que perdeu, uma surpresa: a peça gerou um livro em que o conteúdo pode ser conferido na íntegra.
Fazendo certo mistério, durante a coletiva, Flavio e Aldri entregaram que vem novidade por aí. Questionados sobre a possibilidade de fazer um filme caíram numa gostosa gargalhada, dizendo “Agora já era, vamos falar. Existem planos, sim”.
Para quem não conseguiu a entrada, uma vez que os ingressos  esgotaram-se duas semanas antes da peça. Tem possibilidade de assistir em São Paulo 14 e 15 de abril (Auditório Ibirapuera) e na sequência os meninos desembarcam no Rio e passarão uma temporada de seis semanadas na capital carioca.

Nota:  No último domingo (08/04) a jornalista Eli Antonelli acompanhada dos fotojornalistas Leandro.Grassmann, Marco Godinho e Itamar Crispim realizaram entrevista e uma seção de fotos com os artistas. Na ocasião contaram com o apoio de Aleksandra Pinheiro, sócia diretora da Comunika Press e assessora da peça. Confira um pouquinho. Em breve uma publicação com mais fotos do material produzido e a reportagem na íntegra. 


Leandro e Aldri conversam no bondinho, cartão postal em Curitiba (foto Marco  Godinho  Leandro.Grassmann  )




Fãs dos atores em momento de descontração 
Marco, Flávio, Eli, Itamar, Aleksandra, Leandro e Aldri


A peça originou o livro que já está disponível na livrarias cultura acesse clique aqui ( foto: Marco  Godinho  Leandro.Grassmann )