01/02/2012 |
Márcia Schuler
FNDC
A Casa de Cultura Mario Quintana, no centro de Porto Alegre, recebeu entre 25 e 28 de janeiro o Conexões Globais, evento paralelo ao Fórum Social Temático. A programação variada trouxe diversas personalidades para debater um tema tanto amplo quanto instigante: o papel da tecnologia na vida das pessoas.
O Diálogo Global – como se chamaram os painéis – também abordou o tema Da Primavera Árabe à Internet na Construção da Democracia 2.0, que reuniu o ex-ministro Gilberto Gil, o jornalista Antônio Martins, criador do Le Monde Diplomatique Brasil e do site Outras Palavras, e o Secretário Chefe de Gabinete do Governador e Coordenador Geral do Gabinete Digital do Governo do Rio Grande do Sul, Vinicius Wu, além da presença, online, da jornalista Olga Rodriguez.

Gil alertou os presentes: faria uma filosofia popular – e um tanto complexa. Para o ex-ministro da Cultura, a Primavera Árabe deixou de ser árabe e tornou-se global. ¨ Os desejos de emancipação, tanto no Oriente quanto no Ocidente, sempre estiveram presentes, e foram extravasados por meio das redes sociais”, disse. E destacou que os movimentos globais surgidos nesse contexto, no entanto, se opõem a apenas parte do sistema. Para Gil, é difícil definir, hoje em dia, o que está ou não inserido nesse sistema. “Temos que pensar no futurível, no futuro possível”, afirmou Gil.

Para Wu, as mudanças no século XXI não foram criadas pela internet, mas aceleradas por ela, e as pessoas não foram modificadas pela tecnologia, mas pelo ambiente criado por ela. “Mesmo a sensação de estar vivo é diferente nesse século”, afirmou o secretário. Em um momento histórico, em que as instituições e a representatividade são constantemente questionadas, Wu aponta a necessidade de se acompanhar o processo de mudança. “O poder na pós-modernidade é extra-territorial, enquanto nossos procedimentos democráticos – como o voto, por exemplo – ainda são presos ao território”, constata, explicando um dos cernes da crise de representação. Ele define a democracia atual como compartilhada e de transparência, condenando à obsolescência as instituições incapazes de acompanhar essa mudança.

Para o jornalista “pós-jornal” - como se define Antônio Martins - a sociedade está rejeitando as ideias de que a política se faça a cada dois ou quatro anos, ou de que a representação seja a única forma de democracia. Ele aponta que, mais do que nunca, a transformação social não pode ser delegada - e destaca o papel das tecnologias no processo de democratizar a comunicação. “A questão, agora, não é falar mal da imprensa, mas sim de construir uma nova comunicação”, defendeu. A manifestação popular, mais do que nunca, ganha força e dá visibilidade a questões que, sem as redes sociais, poderiam ser – e muito provavelmente seriam – ignoradas