Matéria publicada no Jornal Folha de Santa Felicidade fev/2012

Você sai apressado de sua residência, um pequeno atraso lhe obriga a correr, passos rápidos, desce a escada do seu prédio, não tem paciência pelo elevador. Passa pela porta estreita, às vezes incomoda, mas é o design moderno do estilo do prédio, alguns degraus logo à frente, os quais você salta. O tempo é curto, requer rapidez e agilidade.  Já na calçada, irrita-se pela quantidade de buracos, pedras soltas, em que você tropeça, um após o outro, mas em alguns minutos já está em seu carro à caminho de mais um dia de trabalho.

Talvez a pressa do dia-a-dia não lhe faça perceber o quanto esses detalhes: a escada, a largura da porta, os degraus em frente ao prédio, os buracos na calçada, as pedras soltas impedem cadeirantes e pessoas com outras deficiências como um deficiente visual, e/ou ainda, pessoas obesas, idosas, mães com carrinho de bebê, a viverem suas vidas, chegarem no horário em seus locais de trabalho e, ou melhor, terem a possibilidade de se deslocar com facilidade sem necessidade de apoio e ter um emprego e uma vida normal. 

Uma cidade sustentável, não é apenas aquela que se preocupa com o meio ambiente. A qualidade de vida de seus habitantes deve atingir a todos.  O engenheiro civil e ex-vereador Antonio Borges dos Reis, juntamente o médico Rui Fernando Pilotto e o engenheiro João Carlos Cascaes desafiaram a reportagem da Folha de Santa Felicidade a dar um passeio por um bairro qualquer de Curitiba. O objetivo era mostrar o estado das calçadas em nossas cidades. E dessa forma, alertar sobre a urgência de adaptação às normas e necessidades dos pedestres.  A região escolhida foi a região próxima do terminal de ônibus Campina do Siqueira.

Foram escolhidos dois trechos um com exemplo positivo das formas como devem ser a sinalização e as rampas. E outro exemplo negativo da necessidade de alterações para que haja melhor circulação de pessoas com deficiência. Em 1997, uma lei de autoria do ex-vereador Borges dos Reis foi aprovada na Câmara estipulado alguns critérios necessários para que os gestores públicos orientem-se por meio das normas da ABNT existentes especificas para questões de acessibilidade. A lei 9121/1997 dispõe sobre a segurança de trânsito aos pedestres nas calçadas no município de Curitiba.



Na rua Jerônimo Durski, em frente ao terminal do Campinha do Siqueira, há um exemplo de falha de engenharia. A rampa direciona o cadeirante ou deficiente visual direto para o cruzamento com a Rua São Vicente de Paula. Para o engenheiro Cascaes é necessário haver licitação para projetos como esse “Desta forma seria possível incluir exigências com relação à acessibilidade nos editais. Haveria uma forma de cobrar pela execução dentro das normas previstas”, diz.


CONFIRA ABAIXO IMAGENS DESTA SITUAÇÃO:

Calçadas quebradas que dificultam a circulação. A falta de acessibilidade gera  inúmeros acidentes e impede o trânsito de cadeirantes e outros com outras deficiências

Um bom exemplo de rampa correta, tanto para deficientes visuais, quanto para cadeirantes. Ela está com boa inclinação e com entrada e saída corretas. 

O engenheiro Borges dos Reis chama a atenção para a plantação inadequada de árvores no meio das calçadas “Isso ocorre em varias cidades, além das árvores estarem no meio da calçada dificultando a circulação das pessoas, elas ainda tem raízes rasteiras, que destroem com o tempo as calçadas. Principalmente nesse modelo de calçadas portuguesas. O ideal são árvores com raízes Essas pedras são utilizadas por vândalos, também, principalmente em brigas de torcida, por exemplo, podendo causar graves acidentes”, destaca. 

plantas com espinhos muito próximas à calçada. Um risco para os cegos



a inclinação desta calçada oferece risco, uma vez que o cadeirante perde a direção da cadeira, podendo acabar na rua com risco de atropelamento

Nas proximidades do terminal Campina do Siqueira, muito mato e necessidade de mais cuidado (registro janeiro 2012)